quinta-feira, 14 de abril de 2011

Cléo Adriano Sabadi Bonotto...Querem conhecê-lo?

Depoimento de Cátia Bonotto, nossa colega e irmã do nosso querido Cléo:

Pois vou contar para vocês, eu me chamo Cátia Bonotto e sou a irmã dele quero que conheçam um pouco de sua história. Nossa família é de Ernesto Alves somos em três irmãos a Letícia, eu e o Cléo.

Um fato que marcou minha infância foi que aos seis anos de idade ele e minha mãe foram pra Santiago, e foram no mercado e lá ele viu uma boneca e insistiu para que comprasse a boneca para mim. Tínhamos pouca diferença de idade, e isso me surpreendeu, quando a tarde chegaram pelo ônibus com o presente para mim, minha mãe disse que foi quem quis trazer aquele presente, e isso me marcou muito, pois ele sempre pensava em nós antes de pensar em si mesmo, ele poderia ter pedido um brinquedo para ele, e ate hoje eu tenho a boneca devido a grandeza do gesto, e nunca esqueci o que ele fez.

E assim foi na infância e na adolescência ele sempre teve muito cuidado comigo e com a nossa irmã. Quando fez o vestibular e começou estudar e me disse: Assim que eu me formar, trabalhar e vou te colocar na universidade, eu disse: Eu não quero! Ele insistiu... Passou o tempo se formou em História e começou a trabalhar, uma das primeiras coisas que ele fez foi me colocar dentro da universidade pagando para eu poder estudar, pois eu não tinha condições financeiras para pagar meus estudos, e ele também passou muita dificuldade para estudar, e por isso desejava que eu tivesse melhores condições de vida. Um dos sonhos dele era formar eu e minha irmã.

Outro fato bastante relevante foi quando estava na universidade federal de Santa Maria onde fez mestrado em Ciência Política, ele pegou boa parte de suas roupas e cobertores e dou para os sem teto, o interessante é que nem tinha dinheiro para comprar outras, minha mãe disse e agora Cléo? Até teu cobertor tu doaste e ele disse: Mãe eles tem menos que nós. Ele nunca se importou com bens materiais, defendia os mais humildes, tinha ideologia, lutava por aquilo que acreditava, enfim era um conquistador. Fez vários trabalhos acadêmicos, muitos deles reconhecidos internacionalmente, pois recentemente ganhou prêmios com o trabalho...

Esse cara era meu irmão, uma pessoa que acreditava num mundo mais justo, que defendia a ideia que sonhava em ter um país mais politizado, e tudo o que vivo hoje devo a ele, ele me devolveu a vontade de viver.

Um jovem de coragem que falava o que pensava. Por isso afirmo Cléo eu sinto orgulho de tudo o que você fez em tão pouco tempo que viveu em nosso convívio, e tudo aquilo que você insistia para eu ser e fazer vou tentar fazer da melhor forma possível, me perdoa se não valorizamos o teu trabalho o quanto deveríamos, mas saiba que Eu Te Amo, sinto muito orgulho de você meu irmão, meu professor, amigo e companheiro das horas difíceis.

Sua memória não será esquecida, eu te prometo. Você sai da vida para entrar na história.


Cátia Luzia Bonotto




Cleó foi um guerreiro e deixou marcas profundas por onde passou, a saudade fica mas o orgulho de ter feito parte de sua história continua dentro de cada um de nós.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Luto...Cléo, saudades eternas!

Cheguei hoje de viagem...eram 10h quando desembarquei na rodoviária de Santa Maria...eu tinha algumas horas até pegar o próximo ônibus de Santa Maria para Santiago. Saudades de casa, apesar dos momentos imensamente felizes vividos em São Paulo com o tio Ananias e tia Catarina. Liguei para a minha mãe...trocadas algumas palavras, ela me conta a última coisa que eu queria ouvir nessa vida: o trágico falecimento do Cléo. Minha voz sumiu na mesma velocidade em que meus olhos não controlavam as lágrimas, o choro incontido tomou conta de mim. Eu estava sozinha. Haviam muitas pessoas circulando pelo terminal rodoviário, mas nunca me senti tão só. Fez bem a mãe em me contar...mesmo que por telefone...pois eu iria saber, ali na rodoviária mesmo, do acontecimento: todos os jornais do dia, infelizmente, destacavam a notícia. Era impossível não ver...estavam nas vitrines da revistaria. O que dizer depois de tudo que vivi junto ao Cléo? Tudo se resume numa imensa dor...numa confusão interior, numa tentativa de explicar o inexplicável. Eu e o Cléo Bonotto vivemos uma história de amor por longos e felizes 6 anos...quem conviveu conosco naquela época, sabe bem do que estou falando. Nosso destino como um casal foi interrompido por circunstâncias, fatos, coisas da vida. O tempo passou e nos reaproximamos, sem mágoas, sem rancores e com uma amizade ainda mais reforçada e repleta de respeito mútuo...e não estou escrevendo isso aqui porque o Cléo já não está entre nós...o que falo aqui são fatos reais, nos tornamos amigos mesmo. Não amigos de festas e drinks (pra isso, tem vários, os mesmos que somem na hora de ajudar de verdade!), mas amigos para conversas, para brigar pelas ideias que defendíamos ou para brigar com nossas ideias e fazer as pazes depois. Por fim, desde o ano passado, eu e o Cléo estávamos, mais uma vez, a convite da profª Rosane Vontobel, unidos em nosso trabalho como co-orientadores de dois grandes projetos da URI: o Museu das Comunicações e o Santiago do Boqueirão, seus poetas quem são? Tínhamos vários planos e metas de trabalho para 2011. Iniciava assim, uma relação profissional forte e bem constituída. Aprendi a amar o Cléo, não mais como o cara com o qual namorei e sonhei que fosse o pai de meus filhos, mas o ser humano Cléo, a pessoa Cléo. O sonhador Cléo. O intelectual Cléo. O Cléo por ele mesmo.


Hoje, depois das 10h da manhã, meu coração vestiu-se de preto. Meu rosto já não suporta tantas lágrimas. Não sei o que dizer e nem o que pensar. Não quero ser 'mulher maravilha' agora...preciso sentir essa falta, essa tristeza. Cléo...obrigado pela pessoa que me tornei quando estava junto contigo, em todas as dimensões: a mulher Lígia, a profissional Lígia, o ser humano Lígia. Sentirei falta de tudo que não vivemos juntos. Sentirei falta de ti. Te guardarei em meu coração, pois jamais morrem aqueles que guardamos no lado esquerdo do peito. Luz e paz em tua jornada rumo a novos horizontes. Leva contigo só as lembranças felizes e voa bem alto, nos inspirando para olharmos pra cima e tentarmos ser pessoas melhores, dia após dia.



Palavras da Professora Lígia Rosso http://ligiarosso.blogspot.com/




segunda-feira, 11 de abril de 2011

Homenagem ao Professor Cleo Bonotto

A professora Rafaela Martins, amiga, colega e aluna do Professor Cléo deixa a ele sua bela homenagem:

Professor, amigo e irmão. O cara que brigava, se preocupava, que fez eu me apaixonar pela pesquisa em História, que estava sempre planejando alguma coisa, que precisa de cuidado e que a gente tinha necessidade em cuidar.
Apaixonado pela história oral, por registrar as memórias daqueles que não apareciam na história oficial, quem mais teria a idéia de estudar sobre os “bandidos” em Santiago, quem teria a coragem de trazer uma exposição sobre direitos humanos e palestrantes para falar sobre o período da ditadura civil militar no Brasil, sem receio algum.
Quem sairia de Ernesto Alves passaria necessidades para estudar em Santa Maria, morar na casa de estudantes e junto com os colegas dar abrigo ao Uruguaio Alejandro que por incompreensão dos brasileiros não teria direito a morar lá.
Que mesmo antes do fim do mestrado iniciou a carreira de mestre na URI, universidade onde foi acadêmico, bolsista e professor.
Quem se perderia na Argentina e mesmo assim amava o país vizinho e estava sempre pronto a participar de seminários, pronto a ir apresentar suas pesquisas e quem podia ele levava junto colocava os nomes dos alunos para que nós tivéssemos publicações para que quando chegasse nossa hora fosse fácil entrar em um mestrado.
Quem mais traria muda e sementes escondidas no ônibus lá do Pará para plantar no pátio da Casa de Pedra em Ernesto Alves.
Meu irmão eu vou seguir, agora não só por mim, mas por todas as coisas que me falava e que muitas vezes não dei valor. Com a ajuda dos alunos e ex-alunos da História e de teus amigos de mestrado seguiremos os teus projetos, as pesquisas em que estava trabalhando.
E guardaremos sim a imagem boa do professor e amigo que o seu Ivo me falou!
Mesmo na sua despedida nos mostrou novas culturas e o céu lindo de Ernesto Alves que estava estrelado como nunca vi!
Realizou tantas coisas, ajudou a tantos durante esses 29 anos que só deixou orgulho em quem teve a oportunidade de conhecer o Cléo, o maninho Cléo, o amigo Cléo, o professor Cléo!



Rafaela Martins 



Cléo mostrou que sonhos e aspirações podem sim tornar-se realidade. Ele deixa seu legado, sua força e paixão em cada atividade.

Obrigado Mestre!

LUTO

A dor que está em nossos corações não será facilmente acalentada. A morte do nosso professor Cleo Adriano Sabadi Bonotto chocou a todos e deixou um enorme vazio em todos.
Um jovem ainda, 29 anos, cheio de planos e projetos, com um futuro promissor e brilhante, se não já um presente assim.


Descanse em paz nosso Mestre, Colega e Amigo.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Repostagens - Eduardo Bueno no Programa do Jô

Exatamente no dia da ''independência'' do Brasil, o jornalista, escritor, Gremista e, por obsessão historiador, Eduardo Bueno foi o entrevistado da noite no Programa do Jô.
Com mais de 20 livros escritos sobre História, em principal sobre a História do Brasil, Eduardo Bueno conquista a atenção do leitor pela contextualização de suas obras, onde teve a entrevista como objetivo central o lançamento de seu mais no livro, Brasil: Uma História - Cinco séculos de um país em construção, editora Leya.


A facilidade que o autor demonstra em reconstruir a História em suas obras compete a dedicação aplicada por Eduardo a temas da sociedade brasileira em geral.
Logo abaixo a entrevista em três partes diretamente o YouTube.

Parte 1



Parte 2



Parte 3

sexta-feira, 25 de março de 2011

Grigori Rasputin - Parte I






Grigoriy Yefimovich Rasputin nascido em Pokrovikoie, Sibéria, no dia 22 de janeiro de 1869. Conhecido e popularizado místico desde a infância como no caso do político russo Stolypin, quando ao passar de carruagem pelo jovem Grigoriy ainda criança na estrada, Rasputin o acenou e o alertou que a morte se aproximava: "A morte é para você, a morte está se aproximando!". Tal como havia dito aconteceu, Stolypin padeceu no dia seguinte vitimado por disparos de arma de fogo. Cresceu em uma localidade que ao mesmo tempo em que contemplava festas com mulheres, muita vodca e brigas também havia o espaço para a religiosidade, onde ali perto, em uma igraje estavam depositados os restos mortais de São Simão.

Aos dezoito anos, Grigori Rasputin teve um encontro com o bispo de Barnaull. Em seguida, inesperadamente, passou a interessar-se por religião e decidiu viajar ao mosteiro de Verkhoture. Pouco tempo depois começa a seguir as doutrinas da seita Khlysty Muito famoso com as mulheres, Rasputin tinha fama de pervertido, depravado e tarado.

Pouco tempo depois retorna à terra natal e casa-se com uma jovem chamada Praskovia Fyodorovna. Este matrimônio rendeu três filhos ao casal: Dimitri, Maria e Varvara, nascidos em 1897, 1898 e 1900, respectivamente (outras fontes especulam quatro filhos do casal). Porém, o casamento foi breve e Rasputin abandonou o lar.

Vagou pelo mundo, principalmente em locais ditos como santos e de peregrinações, Monte Athos, Jeruzalém, Grécia. Mesmo a sua passagem pelo mosteiro de (Flagelantes), que pregava a salvação vinda do pecado, principalmente o pecado da carne. "Se para a salvação do espírito é necessário o arrependimento, e para o arrependimento é preciso o pecado. Então o espírito que quer ser salvo, deve começar a pecar o quanto antes".Verkhoture sendo curta, e sem receber qualquer tipo de treinamento espiritual, as pessoas passam a considerá-lo com poderes especiais como a cura de enfermos e previsões do futuro, onde passaram a considerá-lo um sábio religioso.

Em pouco tempo Rasputin ficou conhecido como "homem santo", onde fiéis a procura de milagres o procuravam e lhe ofertavam comida, roupas e dinheiro. Ficou conhecido em boa parte da Europa Central. Rasputin contava que, um dia, arando as terras, recebeu uma revelação divina. Surgiu-lhe um anjo que entoou um canto místico e lhe atribuiu a missão espiritual de ajudar os necessitados.

Sua importância religiosa se torna tanta que chega a causar preocupação a alguns religiosos locais, onde conta-se que o Monge Iliodor, um de seus opositores chegou a mandar à casa de Rasputin uma mulher (prostituta) com o intuito de matá-lo, onde quase teve êxito, a mulher esfaqueou Grigori que sobreviveu ao ataque.

Esta é somente a primeira parte da vida dessa intrigante figura histórica, que foi santificado por alguns, amado por algumas e odiado por outros.

terça-feira, 22 de março de 2011

Diretório Central dos Estudantes - URI Stgo


Motivados pelo desejo da representação de seus interesses frente à Instituição a qual pertencem, os acadêmicos da URI Santiago reuniram-se em prol de um único ideal: a criação do Diretório Central de Estudantes (DCE). O DCE, por sua vez, é a entidade o qual possui a capacidade de impulsionar às reivindicações e a organização destes estudantes, valorizando a opinião individual, a democracia, a transparência e a seriedade.
Dessa forma, reuniram-se nesta segunda-feira, dia quatorze de março, nas dependências da nossa Universidade, os representantes dos Cursos que fazem parte da desta instituição, fazendo-se presentes, também, os presidentes dos Diretórios Acadêmicos já eleitos para escolherem, provisoriamente, seu representante discente, no intuito de garantir representatividade frente à Instituição. Candidataram-se as acadêmicas Renata Aquino, presidente do Diretório Acadêmico de Direito e Gabriela Fávero Alberti, presidente do Diretório Acadêmico de Enfermagem.
Assim, elegeu-se a candidata Gabriela Fávero Alberti para representante discente da URI Campus Santiago através de eleição democrática e por voto secreto. Ressalta-se, ainda, que se consta em ata este acontecimento além de algumas considerações de interesse acadêmico, sendo estas que será prioridade desta gestão a elaboração do estatuto que rege o Diretório Central de Estudantes bem como o incentivo para a organização dos Diretórios Acadêmicos aos cursos que ainda não possuem.
O primeiro passo, talvez o mais longo dos passos, está dado. Iniciaremos este ano priorizando a elaboração do Estatuto que nos rege, que nos regulamenta como DCE, mas sem deixar de lado algumas questões de necessidade para cada Curso. Portanto, nós acadêmicos que continuamos na luta para a efetivação do DCE, convidamos os Cursos que ainda não possuam Diretório Acadêmico que façam parte dessa luta junto conosco. O bom êxito de qualquer movimento estudantil dependerá da colaboração e comprometimento de todos nós, estudantes.



Matéria retirada do site da URI Santiago

Reflexos - I Mostra de Direito à Memória e à Verdade – A Ditadura no Brasil

A "I Mostra de Direito à Memória e à Verdade – A Ditadura no Brasil" decorrida com seus paineis que informaram sobre as falsas liberdades ou total falta delas em um Brasil não tão distantes que mantém suas memórias vivas e sigilosas. Para todos que compareceram aos corredores do prédio 9 da URI - Campus de Santiago - RS, e em seus debates, palestras e testemunhos ocorridos no salão de atos, ficou demonstrado como é grande o desconhecimento da sociedade brasileira perante tal assunto (desconhecimento ou falta de reflexão). Nosso notável atraso sociocultural foi muito bem representado pela castração sofrida na educação da época, que percorre aos dias atuais, com as intelectualidades anuladas e tendo em seus lugares técnicas manuais (técnicas domésticas, artes, educação física...), e claro a mais admirável de todas Educação Moral e Cívica.

As diferenças culturais se monstram presentes no contexto sul-americano, Argentina, Chile e Uruguai, que também viveram tempos difícil com ditaduras repressivas e violentas, tornaram públicos seus documentos, e a responsabilidade das muitas atrocidades estão sendo referidas e julgadas. A História ainda é presente, seus personagens ainda vivem e mas sociedade alienada brasileira em seu comodismo nada representa para que sejam abertos os arquivos da ditadura.


Deixo um link sobre os arquivos encontrados sobre a ditadura no Paraguai, onde quase nenhum documento foi destruído ou danificado e seu acesso é livre e está ajudando a mudar a mentalidade política do país. Um ótimo texto publicado no Café História.
Para acessá-lo clique AQUI.


Deixo os parabéns para o professor do curso de História da URI - Campus de Santiago - RS Cléo Bonotto e a acadêmica e estagiária de extensão Ângela Ribeiro, pelos incansáveis esforços para que a mostra fosse possível.

terça-feira, 15 de março de 2011

I Mostra de Direito à Memória e à Verdade – A Ditadura no Brasil

Quem transita pelos corredores da URI, mais especificamente no prédio 9, se defronta a uma exposição que remonta aos tempos da ditadura no Brasil. Essa exposição tem como objetivo recuperar e divulgar o período da ditadura militar vividos em nosso país, 1964-1985, por meio da exposição de fotos que registram um passado marcado pela violação dos direitos humanos. Ícones de nossa cultura, exemplos claros de abusos à democracia são exemplos marcantes na exposição.
A repressão demonstrada nos banners, onde manifestantes
reunião-se aos milhares demonstrava o crescimento das ideias intelectuais do brasileiro nas décadas de 60 e 70. Repressões ocorreram em todos os locais, até mesmo em nossa inerte cidade.
Pensando pelo lado da intelectualidade das novas gerações brasileiras, nos deparamos com o atraso causado por uma educação sistemática que privava seus educandos de qualquer pensamento crítico, o que comprova a tese onde se afirma que a manipulação popular se faz pela falta de conhecimento de seu meio.

Lutamos para que nossa história não seja esquecida, o esquecimento faz o homem repetir os mesmos erros.


Exemplo da força pensante da época, Chico Buarque de Holanda, driblava a censura com suas palavras.

Cálice

Composição: Chico Buarque e Gilberto Gil

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...(2x)

Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta
De que me vale
Ser filho da santa
Melhor seria
Ser filho da outra
Outra realidade
Menos morta
Tanta mentira
Tanta força bruta...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutado
Esse silêncio todo
Me atordoa
Atordoado
Eu permaneço atento
Na arquibancada
Prá a qualquer momento
Ver emergir
O monstro da lagoa...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

De muito gorda
A porca já não anda
(Cálice!)
De muito usada
A faca já não corta
Como é difícil
Pai, abrir a porta
(Cálice!)
Essa palavra
Presa na garganta
Esse pileque
Homérico no mundo
De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Talvez o mundo
Não seja pequeno
(Cale-se!)
Nem seja a vida
Um fato consumado
(Cale-se!)
Quero inventar
O meu próprio pecado
(Cale-se!)
Quero morrer
Do meu próprio veneno
(Pai! Cale-se!)
Quero perder de vez
Tua cabeça
(Cale-se!)
Minha cabeça
Perder teu juízo
(Cale-se!)
Quero cheirar fumaça
De óleo diesel
(Cale-se!)
Me embriagar
Até que alguém me esqueça
(Cale-se!)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

... Moacyr Scliar ...1937 - 2011

Nossa homenagem na transcrição de um conto extraído do livro A História da Cidadania, organizado por Jaime e Carla Pinsky.

O Nascimento de um Cidadão

Moacyr Scliar

Para renascer, e às vezes para nascer, é preciso morrer, e ele começou morrendo. Foi uma morte até certo ponto anunciada, precedida de uma lenta e ignominiosa agonia. Que teve início numa sexta-feira. O patrão chamou-o e disse, num tom quase casual, que ele estava despedido: contenção de custos, você sabe como é, a situação não está boa, tenho que dispensar gente.

Por mais que esperasse esse anúncio, que na verdade até tardara um pouco, muitos outros já haviam sido postos na rua – foi um choque. Afinal, fazia cinco anos que trabalhava na empresa. Um cargo modesto, de empacotador, mas ele nunca pretendera mais: afinal, mal sabia ler e escrever. O salário não era grande coisa, mas permitira-lhe, com muito esforço, sustentar a família, esposa e dois filhos pequenos. Mas já não tinha salário, não tinha emprego – não tinha nada.

Passou no departamento de pessoal, assinou os papéis que lhe apresentaram, recebeu seu derradeiro pagamento, e, de repente, estava na rua. Uma rua movimentada, cheia de gente apressada. Gente que vinha de lugares e que ia para outros lugares. Gente que sabia o que fazer.

Ele, não. Ele não sabia o que fazer. Habitualmente iria para casa, contente com a perspectiva do fim de semana, o passeio no parque com os filhos, a conversa com os amigos. Agora, a situação era outra. Como poderia chegar em casa e contar à mulher que estava desempregado? À mulher, que se sacrificava tanto, que fazia das tripas coração para manter a casa funcionando? Para criar coragem, entrou num bar, pediu um martelo de cachaça, depois outro e mais outro. A bebida não o reconfortava; ao contrário, sentia-se cada vez pior. Sem alternativa, tomou o ônibus para o humilde bairro em que morava.

A reação da mulher foi ainda pior do que ele esperava. Transtornada; torcia as mãos e gritava angustiada, o que é que vamos fazer, o que é que vamos fazer. Ele tentou encorajá-la, disse que de imediato procuraria emprego. De imediato significava, naturalmente, segunda-feira; mas antes disto havia o sábado e o domingo, muitas horas penosas que ele teria de suportar. E só havia um jeito de fazê-lo: bebendo. Passou o fim de semana embriagado. Embriagado e brigando coma mulher.

Quando, na segunda-feira, saiu de casa para procurar trabalho, sentia-se de antemão derrotado. Foi a outras empresas, procurou conhecidos, esteve no sindicato; como antecipara, as repostas eram negativas. Terça foi a mesma coisa, quarta também, e quinta, e sexta. O dinheiro esgotava-se rapidamente, tanto mais que o filho menor, de um ano e meio, estava doente e precisava ser medicado. E assim chegou o fim de semana. Na sexta à noite ele tomou uma decisão: não voltaria para casa.

Não tinha como fazê-lo. Não poderia ver os filhos chorando, a mulher a mirá-lo com ar acusador. Ficou no bar até que o dono o expulsou, e depois saiu a caminhar, cambaleante. Era muito tarde, mas ele não estava sozinho. Nas ruas havia muitos como ele, gente que não tinha onde morar, ou que não queria um lugar para morar. Havia um grupo deitado sob uma marquise, homens, mulheres e crianças. Perguntou se podia ficar com eles. Ninguém lhe respondeu e ele tomou o silêncio como concordância. Passou a noite ali, dormindo sobre jornais. Um sono inquieto, cheio de pesadelos. De qualquer modo, clareou o dia e quando isto aconteceu ele sentiu um inexplicável alívio: era como se tivesse ultrapassado uma barreira, como se tivesse se livrado de um peso. Como se tivesse morrido? Sim, como se tivesse morrido. Morrer não lhe parecia tão ruim, muitas vezes pensara em imitar o gesto do pai que, ele ainda criança, se atirara sob um trem. Muitas vezes pensava nesse homem, com quem nunca tivera muito contato e imaginava-o sempre sorrindo (coisa que em realidade raramente acontecia) e feliz. Se ele próprio não se matara, fora por causa da família; agora, que a família era coisa do passado, nada mais o prendia à vida.

Mas também nada o empurrava para a morte. Porque, num certo sentido, era um morto-vivo. Não tinha passado e também não tinha futuro. O futuro era uma incógnita que não se preocupava em desvendar. Se aparecesse comida, comeria; se aparecesse bebida, beberia (e bebida nunca faltava; comprava-a com esmolas. Quando não tinha dinheiro sempre havia alguém para alcançar-lhe a garrafa). Quanto ao passado, começava a sumir na espessa névoa de um olvido que o surpreendia – com esqueço rápido as coisas, meu Deus – mas que não recusava; ao contrário, recebia-o como uma bênção. Como uma absolvição. A primeira coisa que esqueceu foi o rosto do filho maior, garoto chato, sempre a reclamar, sempre a pedir coisas. Depois, foi o filho mais novo, que também chorava muito, mas não pedia nada – ainda não falava. Por último, foi-se a face devastada da mulher, aquela face que um dia ele achara bela, que lhe aquecera o coração. Junto com os rosto, foram os nomes. Não lembrava mais como se chamavam.

E aí começou a esquecer coisas a respeito de si próprio. A empresa em que trabalhara. O endereço da casa onde morara. A sua idade – para que precisava saber a idade? Por fim, esqueceu o próprio nome.

Aquilo foi mais difícil. É verdade que, havia muito tempo, ninguém lhe chamava pelo nome. Vagando de um lado para outro, de bairro em bairro, de cidade em cidade, todos lhe eram desconhecidos e ninguém exigia apresentação. Mesmo assim foi com certa inquietação que pela primeira vez se perguntou: como é mesmo o meu nome? Tentou, por algum tempo se lembrar. Era um nome comum, sem nenhuma peculiaridade, algo como José da Silva (mas não era José da Silva); mas isto, ao invés de facilitar, só lhe dificultava a tarefa. Em algum momento tivera uma carteira de identidade que sempre carregara consigo; mas perdera esse documento. Não se preocupara – não lhe fazia falta. Agora esquecia o nome... Ficou aborrecido, mas não por muito tempo. É alguma doença, concluiu, e esta explicação o absolvia: um doente não é obrigado a lembrar nada.

De qualquer modo, aquilo mexeu com ele. Pela primeira vez em muito tempo – quanto tempo? Meses, anos? – decidiu fazer alguma coisa. Resolveu tomar um banho. O que não era habitual em sua vida, pelo contrário: já não sabia mais a quanto tempo não se lavava. A sujeira formava nele uma crosta – que de certo modo o protegia. Agora, porém, trataria de lavar-se, de aparecer como fora no passado.

Conhecia um lugar, um abrigo mantido por uma ordem religiosa. Foi recebido por um silencioso padre, que lhe deu uma toalha, um pedaço de sabão e o conduziu até o chuveiro. Ali ficou, muito tempo, olhando a água que corria para o ralo – escura no início, depois mais clara. Fez a barba, também. E um empregado lhe cortou o cabelo, que lhe chegara aos ombros. Enrolado na toalha, foi buscar as roupas. Surpresa:

- Joguei fora – disse o padre. – Fediam demais.

Antes que ele pudesse protestar, o padre entregou-lhe um pacote:

- Tome. É uma roupa decente.

Ele entrou no vestiário. O pacote continha cuecas, camisa, uma calça, meias, sapatos. Tudo usado, mas em bom estado. Limpo. Ele vestiu-se, olhou no espelho. E ficou encantado: não reconhecia o homem que via ali. Ao sair, o padre, de trás de um balcão, interpelou-o:

- Como é mesmo o seu nome?

Ele não teve coragem de confessar que esquecera como se chamava.

- José da Silva.

O padre lançou-lhe um olhar penetrante – provavelmente todos ali eram José da Silva – mas não disse nada. Limitou-se a fazer uma notação num grande caderno.

Ele saiu. E sentia-se outro. Sentia-se como que – embriagado? – sim, como que embriagado. Mas embriagado pelo céu, pela luz do sol, pelas árvores, pela multiradão que enchia as ruas. Tão arrebatado estava que, ao atravessar a avenida, não viu o ônibus. O choque, tremendo, jogou-o à distância. Ali ficou, imóvel, caído sobre o asfalto, as pessoas rodeando-o. Curiosamente, não tinha dor; ao contrário, sentia-se leve, quase que como flutuando. Deve ser o banho, pensou.

Alguém se inclinou sobre ele, um policial. Que lhe perguntou:

- Como é que está, cidadão? Dá para agüentar, cidadão?

Isso ele não sabia. Nem tinha importância. Agora sabia quem era. Era um cidadão. Não tinha nome, mas tinha um título: cidadão. Ser cidadão era, para ele, o começo de tudo. Ou o fim de tudo. Seus olhos se fecharam. Mas seu rosto se abriu num sorriso. O último sorriso do cidadão.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cine Clio - Dicas de Filmes

Ponto de Vista




Não se trata de um grande filme com grandes bilheterias, porém acredito que aos historiadores esse filme representa boa parte de tudo que nos é ensinado em nosso curso. Um único fato, visto de diversos ângulos e sofrendo diversas interpretações. Ótimo exemplo ou dica para desprender da história, ensinada nas escolas, seu rótulo de verdade absoluta.

Sinopse

O presidente dos Estados Unidos, Ashton (William Hurt), participará de uma conferência mundial sobre o combate ao terrorismo em Salamanca, na Espanha. Thomas Barnes (Dennis Quaid) e Kent Taylor (Matthew Fox) são os agentes do Serviço Secreto designados para protegê-lo durante o evento. Entretanto logo em sua chegada o presidente é baleado, o que gera um grande tumulto. Na multidão que assiste ao atentado está Howard Lewis (Forest Whitaker), um turista americano que estava gravando tudo para mostrar aos filhos quando retornasse para casa. A partir da perspectiva de diversos presentes no local antes e depois do atentado é que se pode chegar à verdade sobre o ocorrido.



Título Original: (Vantage Point)

Lançamento: 2008 (EUA)

Direção: Pete Travis

Duração: 90 min

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Cine Clio - Dicas de Filmes

A Rainha Margot - La Reine Margot



Sinopse
No século XVI um casamento de conveniência é celebrado com o intuito de manter a paz. A união entre a católica Marguerite de Valois, a rainha Margot (Isabelle Adjani), e o nobre protestante Henri de Navarre (Daniel Auteuil) tinha como meta unir duas tendências religiosas. O objetivo do casamento foi tão político que os noivos não são obrigados a dormirem juntos. As intrigas palacianas vão culminar com a Noite de São Bartolomeu, na qual milhares de protestantes foram mortos. Após isto Margot acaba se envolvendo com um protestante que está sendo perseguido. 


Elenco
 
Isabelle Adjani (Margot)
Daniel Auteuil (Henri de Navarre)
Jean-Hugues Anglade (Charles IX)
Vincent Perez (La Môle)
Virna Lisi (Catharina de Médici)
Dominique Blanc (Henriette de Nevers)


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Rapidinhas da História - Curiosidades

Andar à toa
Significado: Andar sem destino, despreocupado, passando o tempo.
Histórico: Toa é a corda com que uma embarcação remboca a outra. Um navio que está "à toa" é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar. Uma mulher à toa, por exemplo, é aquela que é comandada pelos outros. Jorge Ferreira de Vasconcelos já escrevia, em 1619: Cuidou de levar à toa sua dama.

Casa de mãe Joana
Significado: Onde vale tudo, todo mundo pode entrar, mandar, etc.
Histórico: Esta vem da Itália. Joana, rainha de Nápoles e condessa de Provença (1326-1382), liberou os bordéis em Avignon, onde estava refugiada, e mandou escrever nos estatutos: "que tenha uma porta por onde todos entrarão". O lugar ficou conhecido como Paço de Mãe Joana, em Portugal. Ao vir para o Brasil a expressão virou "Casa da Mãe Joana". A outra expressão envolvendo Mãe Joana, um tanto chula, tem a mesma origem, naturalmente.

Onde judas perdeu as botas
Significado: Lugar longe, distante, inacessível.
Histórico: Como todos sabem, depois de trair Jesus e receber 30 dinheiros, Judas caiu em depressão e culpa, vindo a se suicidar enforcando-se numa árvore. Acontece que ele se matou sem as botas. E os 30 dinheiros não foram encontrados com ele. Logo os soldados partiram em busca das botas de Judas, onde, provavelmente, estaria o dinheiro. A história é omissa daí pra frente. Nunca saberemos se acharam ou não as botas e o dinheiro. Mas a expressão atravessou vinte séculos.

Quem não tem cão caça com gato
Significado: Ou seja, se você não pode fazer algo de uma maneira, se Vira e faz de outra.
Histórico: Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia "quem não tem cão caça como gato", ou seja, se Esgueirando, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.

Estar de paquete
Significado: Situação das mulheres quando estão menstruadas.
Histórico: Paquete, já nos ensina o Aurélio, é um das denominações de navio. A partir de 1810, chegava um paquete mensalmente, no mesmo dia, no Rio de Janeiro. E a bandeira vermelha da Inglaterra tremulava. Daí logo se vulgarizou a expressão sobre o ciclo menstrual das mulheres. Foi até escrita uma "Convenção Sobre o Estabelecimento dos Paquetes", referindo-se, é claro, aos navios mensais.

Pensando na morte da bezerra
Significado: Estar distante, pensativo, alheio a tudo.
Histórico: Esta é bíblica. Como vocês sabem, o bezerro era adorado pelos hebreus e sacrificados para Deus num altar. Quando Absalão, por não ter mais bezerros, resolveu sacrificar uma bezerra, seu filho menor, que tinha grande carinho pelo animal, se opôs. Em vão. A bezerra foi oferecida aos céus e o garoto passou o resto da vida sentado do lado do altar "pensando na morte da bezerra". Consta que meses depois veio a falecer.


Fonte:Brasil/Itália.info

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Pingos de História

Guerra do Paraguai





O Paraguai após sua independência em 1811 implantou um sistema político adverso aos sistemas comuns aos outros países da América do Sul. Com uma ditadura popular projeta seu crescimento em base de sua economia interna, o que da muito certo. O Paraguai se torna um país industrializado, onde fome e analfabetismo quase inexistem. José Gaspar Rodriguez de Francia, conhecido como El Supremo, assume o país em uma ditadura peculiar, utiliza-se do absolutismo em prol do povo. Confisca terras, desprestigia oligarcas que eram beneficiados pela coroa espanhola. Morre em 1840 e assim assume Carlos Antonio Lopez, advogado que vivia no interior, praticamente escondido para não sofrer represálias de El Supremo. Lopez aplicou reformas ao modelo de Francia, basicamente na estrutura socioeconômica. Surgem fábricas, estaleiros, aumenta e muito a produção de navios. A produção de produtos para a exportação teria vazão pelo porto de Buenos Aires, devidamente taxados pelos portenhos. Sendo assim, o fato do Paraguai não apresentar saída ao mar acabou sendo uma das causas apontadas para o início da guerra.

Mão de obra especializada, como engenheiros e técnicos são trazidos da Europa para as obras. Com a morte de Carlos Antonio Lopez, seu filho Francisco Solano Lopez assume o país determinado a seguir seus sucessores.

O desenvolvimento espantoso do Paraguai chamou a atenção dos países vizinhos, Argentina, Uruguai e Brasil. O principal temor das nações vizinhas seria de um possível avanço do Paraguai sobre terras alheias com o intuito de conquistar uma passagem para o mar. No caso do Brasil também se apresentava a ameaça de tomada do fluxo do rio Paraguai que leva diretamente ao Mato Grosso, onde o afastamento da província poderia causar um sentimento separatista e desencadear uma nova onda libertária.

O grande desenvolvimento paraguaio pulou aos olhos da Inglaterra. Ao contrário do Brasil ou Argentina, que tinha seu rabo preso com a Inglaterra, o Paraguai era praticamente independente. Não que fosse algo que pudesse fazer frente à poderosa Inglaterra, mas como a própria ainda estava se recuperando da Guerra da Secessão, manter o controle sobre o crescimento do Paraguai seria uma forma de exemplo do poder ainda latente aos ingleses.

Como planejamento de expansão Solano Lopez buscava a criação do Paraguai Maior, onde ele anexava territórios argentinos e brasileiros até alcançar saída ao mar. Para isso Lopez organizou seu exército que contou com quase 70 mil homens, enquanto as tropas brasileiras não passavam de 18 mil combatentes.

Pondo em prática seu plano expansionista, Lopez alia-se aos blancos uruguaios em uma nova tentativa de tomada do poder uruguaio pelo partido. Logo os paraguaios necessitariam passar por territórios argentinos, então Lopez pede ao governo Argentino que os deixe passar em seu território, pois a Argentina se apresentava neutra nesta situação. Porém Bartolomeu Mitre presidente argentino não concedeu passagem o que desencadeou o pretexto necessário à invasão da província de Corrientes pelos paraguaios. Vitórias foram sendo obtidas e os territórios brasileiros começaram a ser invadidos. Neste momento, em 1º de maio de 1865, é assinado o tratado da tríplice coroa entre Brasil, Argentina e Uruguai, com o aval e apoio financeiro da Inglaterra e seus bancos.

Ainda em maio de 1865, a aliança já mostrava sinais de força, quando a província de Corrientes foi retomada pelos aliados. A esquadra paraguaia que avançava teve seu basta em 11 de junho de 1865, onde o Brasil na Batalha de Riachuelo sagra-se vencedor. Graças a política de alistamento obrigatório a partir dos 18 anos o Brasil conseguiu aumentar seu contingente. Os jovens fugiam do alistamento e até vestiam-se de mulher como forma de escapar. Como medida Dom Pedro II oficializa que os filhos dos grandes proprietários também devem apresentar-se, ou mandar alguns escravos em seu lugar, que logo após a guerra se sobrevivendo ganham a alforria. Essa medida aumenta consideravelmente o contingente brasileiro senso que o povo brasileiro em sua maioria era formado por escravos.

A partir desses momentos o avanço paraguaio estava contido e a invasão ao Paraguai seria questão de tempo.

Cabe citar que a entrada em território paraguaio foi dura, lenta e sangrenta, algo que só aconteceu em 1866. Consequentes batalhas como a de Tuiuti, Humaitá, Itororó, Avaí, Lomas Valentinas e Angostura figurara o avanço das tropas aliadas que partindo de certo tempo ficou formada basicamente pelo exército brasileiro, pois Mitre e Flores acabaram por desentenderem-se retirando boa parte de seu já reduzido contingente.

Após a invasão a fortaleza de Humaitá, o caminho da vitória estava encaminhado. Seguindo daí houve a troca no comando das tropas brasileiras, saindo o general Osório e sendo colocado em seu lugar Luís Alves de Lima e Silva. O ainda então Marquês de Caxias.

A tomada da Assunção aconteceu em janeiro de 1869, com a fuga de Lopez para territórios de serra e com o relevo muito acidentado. Caxias ficou doente e acabou pedindo transferência de volta ao Brasil, em seu lugar Dom Pedro II mandou se genro, Luis Felipe Gastão de Orleáns, o conde D’Eu, casado com a princesa Isabel.

Caxias relatou que o modo brutal como estavam sendo derrotados os inimigos dizimou 75% da população paraguaia, chegando a conter um homem para cada oitenta mulheres.

O Paraguai estava dominado porém Lopez ainda vivia, Dom Pedro II preocupou-se com um possível levante armado por parte do presidente, decretando a necessidade de captura ou morte de Solano.

Completamente derrotado Solano Lopez foi cercado em 1º de março de 1870 em Cerro Corá. Quando foi intimado a render-se avançou em direção aos aliados e gritou: ¡Muero com mi Pátria!

Como frutos da aliança os termos garantiam e tinham como finalidade tirar do Paraguai a soberania dos rios; Responsabilizar o Paraguai por toda a dívida de guerra; obter vantagens territoriais às custas de Lopez.

Como consequência apresenta-se na derrota formal um Paraguai reduzido a pó, com seu território e sua população muito reduzidos. Já o Brasil também apresenta derrota, a dívida que o país contraiu com bancos ingleses aumentou e muito a dependência da Inglaterra. O grande trunfo brasileiro foi a formação do Exército brasileiro, deixando de ser uma simples guarda nacional e criando uma identidade que perdura até os dias atuais.


Trabalho de pesquisa realizado pelo acadêmico Renato Marchi Pinto, V semestre de História da URI - Campus de Santiago.

Imagens Históricas

A intenção não é procurar uma ligação entre as Imagens (mesmo sendo possível), mas demonstrar em poucos exemplos a evolução da humanidade (sem ordem cronológica ou temática).



Garimpo de Serra Pelada


Construção Torrel Eiffel



Hitler na França tomada pelos Nazistas



Ficha-crime Dilma Roussef

Benito Mussoline e a amante assassinados


Retratos da Ditadura nas Américas


Ernesto ''Che" Guevara e Fidel Castro


Hitler e o Clero


Construção do Cristo Redentor

Judeus em Auschwitz